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O Trino Caminho da Salvação

São três os caminhos que conduzem a Vida. Entretanto, são apenas meios que conduzem ao único cortejo: o de Cristo. Quero te falar sobre estes três trajetos para que juntos cheguemos à estação final.

O primeiro caminho a percorrer é do Batismo. Todos somos chamados à santidade. Jesus nos disse: "Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito" (Mt 5, 48). A perfeição exigida pelo Pai para adentrar no reino do Céu, é a que Jesus deixou no Evangelho. Não há contradição entre a perfeição do Pai e a de Jesus. "Eu e o Pai somos um" (Jo 10,30). Todavia, Deus quer fazer um só povo, na Igreja que é Católica. A realização disso se dá na comunhão dos Santos. Essa comunhão é dita "dos Santos", por ser o chamado à santidade universal. Aceitar o convite de Deus, professar a fé em Jesus Cristo, em Sua Igreja, Doutrina e Sacramentos, viver como família católica, que é una na diversidade é a verdadeira comunhão dos Santos.

O batismo nos faz nascer para a vida em Deus. "Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado." (Mc 16,16). O batismo faz-nos participantes do Corpo Místico de Cristo. Ele é a cabeça. Nós, apenas os membros. Diz o Catecismo no parágrafo 1214: Chama-se "Baptismo", por causa do rito central com que se realiza: "baptizar" (baptizeis, em grego) significa "mergulhar", "imergir". E complementando a isso diz São Paulo: "Ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova." (Rm 6, 3-4). Fomos mergulhados na água que jorrou do lado aberto de Cristo. Quem quer ganhar à vida, banhe-se nessa água. O lado aberto foi profetizado no Gênesis, quando Deus disse a Noé: "Farás no alto da arca uma abertura com a dimensão de um côvado. Porás a porta da arca a um lado, e construirás três andares de compartimentos." (Gn 6,16).

O batismo é o primeiro passo para aquele que quer à salvação. É o certificado inicial para a batalha. Entretanto a plena certificação será dada no fim dos tempos, onde, os justos e ímpios serão julgados conforme seus atos. Batizados somos chamados de cristãos. Esta palavra de origem grega Χριστός (christós), significa: "o Ungido". Então, ao sermos batizados somos ungidos com a unção do Divino Espirito Santo, que, imprime em nossa alma os dons indeléveis da fé, esperança e caridade.

O segundo caminho que o servo de Deus deve percorrer é a Missa. Esta nos leva ao Calvário. É o sacrifício de Cristo que consumou o gênero humano. Fulton Sheen em seu livro " o Calvário e a Missa", diz: "Ele não pode, de fato, reviver o Calvário no seu Corpo físico, mas pode renovar os Seus sofrimentos no Seu Corpo Místico que é a Igreja." O sacrifício da Missa é a renovação do calvário de forma incruenta, ou seja, sem derramamento de sangue. Jesus não sofre novamente. O sacrifício foi feito de maneira plena na Cruz à mais de dois mil anos. São João Paulo II é claro quanto à esta questão: "Com efeito, o sacrifício eucarístico torna presente não só o mistério da paixão e morte do Salvador, mas também o mistério da ressurreição, que dá ao sacrifício a sua coroação. Por estar vivo e ressuscitado é que Cristo pode tornar-Se « pão da vida » (Jo 6, 35.48), « pão vivo » (Jo 6, 51), na Eucaristia" (Carta Encíclica, ECCLESIA DE EUCHARISTIA. n. 14). A Eucaristia é o Corpo Santíssimo de Jesus que é dado a nós. É o mistério da fé, "mysterium fidei". É Jesus quem é, ao mesmo tempo, oferenda e oferta.

Somos chamados a ressureição. Entretanto, esquecemos que para isso Cristo padeceu na cruz. E nós, também não devemos? Jesus no Calvário mostrou os dois lados da vida: o bom e o mau ladrão. Ou seja, o convertido e o maldizente. Somos livres para escolher qual deles sermos. Todavia, Jesus quer fazer de nós aquele que arrependido foi junto à Ele para o paraíso. O bom ladrão foi o primeiro santo canonizado, não pela Igreja, mas pelo Próprio Jesus no momento da redenção.

É na Missa que recebemos o Corpo de Cristo. Nesse momento tornamo-nos sacrários vivos que guardam o tesouro mais precioso. Por isso, ela é a segunda estrada a percorrer. Não que a estrada do batismo seja deixada de lado. Mas, esta fica na substância, ou seja, em baixo da segunda. Não há diferenças nem gradação, o que há é avanço rumo a salvação. É semelhante a alguém que sobe determinada escada. Cada degrau é essencial, senão o fosse, a escada não teria função útil, não teria sustento para subir degrau por degrau.

O terceiro caminho não é outro senão o da esperança. Esta virtude teologal, que nos é dada no batismo, por muitas vezes, é esquecimento nosso. O desespero frente as contrariedades, o temor de não ser salvo, é fruto de alguém que perdeu as esperanças na vinda de Jesus. "Esperança é a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos céus e a vida eterna como nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos, não nas nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo." (Catecismo, parágrafo 1817). Não salvamo-nos por nossas forças, mas pela graça de Deus. Entretanto, devemos colocar os meios para a ação da graça. Aquele que deseja a salvação além de contar com a graça, deve adquirir méritos para conquistá-la. Jesus prometeu-nos o céu: “Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus" (Mt 5, 3). Prometeu a visão de Deus: "Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!" (Mt 5, 8), e muitas outras coisas descritas nas Bem-aventuranças. Porém, em todas elas exige meios para isso: Queres o Céu? Tenha um coração pobre. Queres ver a Deus? Tenha um coração puro.

A esperança é o cerne da salvação. "Só em Deus repousa a minha alma, é dele que me vem o que eu espero. Só ele é meu rochedo e minha salvação; minha fortaleza: jamais vacilarei." (Sl 61, 6-7). A esperança vem de Deus e é para Ele. Ele é a causa inicial e final. Ele é o alfa e ômega. Por isso, devemos esperar a vinda do Senhor sem temor. E só não temera aquele que por toda a confiança e fortaleza em Deus.

Estes três caminhos são fundidos essencialmente entre si. Aquele que quer percorrer um, deve também percorrer os outros dois. Nascer, morrer e Viver. Nisso devemos basear nossa vida: nascer para Deus; Morrer por Deus; Viver com Deus. A vida que esperamos está mais próxima do que ontem. Cada dia é uma incerteza. Não sabemos quando Deus manifestará sua glória através de seu Filho. Entretanto, é dever estar pronto em todo e qualquer momento. Não perca o cortejo que conduz a vida, mas, embarca nele e deixe-se conduzir até o destino que buscaste.


Seminarista Eduardo Augusto Patatt Fucilini- Membro de Aliança da Comunidade Católica Legati Christi

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